Ao contrário do senso comum, as festas raves não têm o objetivo de fornecer um espaço para que as pessoas possam se drogar livremente, mas sim, é um ambiente para os amantes da música eletrônica aproveitarem o máximo que agüentarem, divertindo-se com seus amigos, que normalmente não passam dos 30 anos e, muitas vezes, procuram esses ambientes festivos para fugir da rotina ou viverem suas individualidades.
Realmente, existem pessoas que freqüentemente participam de eventos como esse e, para aproveitar ao máximo as horas seguidas de festa, consomem drogas sintéticas que os mantém acordados e com energia prolongada. Por isso, quando se ouve falar de festas com música eletrônica, a céu aberto e que duram 2 ou 3 dias sem parar (com exceção das que são promovidas por grandes patrocinadores dos meios de comunicação), é para apontar os usuários de drogas que lá estão, fazendo com que os “telespectadores” considerem todos os seus freqüentadores como drogados, como se esse consumo não existisse nas baladas noturnas das grandes cidades, entre profissionais que dedicam horas no trabalho, ou entre os estudantes de medicina, que passam os finais de semana nas cervejadas e, vão assistir aulas ou estudar para as provas, se automedicando com remédios de tarja preta que exigem prescrição médica.
As festas raves costumam ser organizadas em cidades interioranas, onde tenha campos largos que possam comportar o enorme público da música eletrônica. Mas os moradores destas cidades têm reclamado e pedindo as autoridades que proíbam tais tipos de festas em seus respectivos municípios. O que tem incomodado os moradores, além do som alto, repetitivo e incessante, que dura o dia e a noite toda, e o lixo que é deixado pelos freqüentadores da festa que costumam vir de outras cidades, é o consumo de droga ilegais que tem sido mais noticiado e abordado ao se tratar do impedimento das raves serem realizadas. Esses moradores relatam sobre os acidentes automotivos e o vandalismo que acontecem com mais freqüência nos dias que estão acontecendo os eventos.
O manobrista Rubens tem 28 anos e acompanha diariamente as notícias dadas pela televisão. Ele apóia a proibição da realização de tais festas, usando justamente o argumento de que existe muito consumo de drogas e, sem dúvida, acredita que os organizadores destas festas facilitam a entrada dos entorpecentes. O manobrista diz que, mesmo que haja freqüentadores que não usam drogas, o ambiente da rave torna-os consumidores, por influência de amigos ou de traficantes.
Já o operador de sistemas Gabriel, tem 19 anos e é freqüentador das festas raves. Ele fala que a primeira coisa que se encontra na entrada das raves é um enorme cartaz dizendo: “Não use drogas, use música”. Para Gabriel, a medida que esses municípios estão tomando para proibir as festas é premeditada, e que estão usando as drogas como argumento, mas o que realmente pode estar incomodando é o som alto, e, as confusões que são causados pelo alto consumo de álcool, não as drogas ilegais. E, quanto à fiscalização, ele explica que é igual as que são feitas em baladas noturnas nas cidades, ou seja, revista padrão. Mas tem vezes que a fiscalização é ainda mais pesada nas festas de música eletrônica, pois aparecem muitos policiais que revistam não só as pessoas que estão entrando no evento, mas também os carros que chegam no estacionamento.
Se essa for a maneira encontrada pelas autoridades, e cidadãos, para acabar com o consumo e tráfico de drogas ilegais, as autoridades terão que se preocupar menos com as raves que acontecem esporadicamente, e mais com as baladas e festas noturnas das grandes cidades que abrem todos os dias as suas portas. Como também as festas universitárias, os shows musicais e principalmente com o carnaval.
A solução evidentemente eficaz, para o difícil acesso as drogas e conseqüentemente a diminuição de seu consumo, está na fiscalização das fronteiras, portos, aeroportos e rodoviárias, além da ronda constante nas entradas das favelas, para intimidar consumidores e aprender as drogas que entram no país e as que entram nas favelas, aonde os moradores de outros bairros vão em busca delas para serem vendidas e consumidas nas festas e comemorações em todo o Brasil.






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